Identificação do Projeto VOLTAR


Nome do Projeto:

Padaria Artesanal: Família, Pão e União

Eixo Temático:
(área de atuação)

Social / Pedagógico

Público Alvo:

Quinze crianças e adolescentes abrigadas entre 10 e 18 anos incompletos e as respectivas famílias

Modalidade:

(X) projeto sócio-educativo;
(X) projeto de abrigamento;
(X) ampliação de atendimento;
(X) aquisição de material ou equipamento;

Diagnóstico:
A realidade das famílias das crianças e adolescentes atendidas no abrigo se caracteriza pelo desemprego, miséria, falta de moradia, ou moradia precária, problemas com alcoolismo, uso abusivo de drogas, distúrbios psiquiátricos, problemas emocionais. E as crianças e adolescentes advindos dessas famílias são vítimas dessa realidade social.
Assim, é tarefa essencial do abrigo trabalhar essas problemáticas, visando à reintegração familiar, o retorno dessas crianças/ adolescentes às suas famílias.

Justificativa – (Por que do Projeto?):
A instituição de abrigo tem como função acolher e assistir crianças que, por algum motivo, tiveram que ser retiradas de suas famílias ou foram por elas abandonadas.
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA ), o abrigamento é uma medida provisória que visa retirar a criança/adolescente de uma situação em que seus direitos estejam sendo ameaçados ou violados. O ECA define o abrigo como um lugar de passagem para a criança, que deve, assim que possível, voltar a morar com sua família de origem ou ser encaminhada para a adoção.
O ECA preconiza que a instituição de abrigo deve fazer a manutenção dos vínculos familiares da criança abrigada, visando a reintegração familiar. E podemos verificar que a estrutura dos abrigos no decorrer dos anos foi se transformando para garantir o direito à família.
“Existem duas razões fundamentais que justificam a reintegração familiar. A primeira é de ordem legal:”toda a criança tem direito à convivência familiar e comunitária” (art. 227 Constituição Federal). A segunda, de ordem psicossocial, refere-se ao trabalho feito com as famílias no sentido de um reinvestimento na criança A intenção é fazer com que a família volte assumir seus deveres, ao oferecer à criança um ambiente acolhedor ao desenvolvimento de suas potencialidades”. (ORG.TERRA DOS HOMENS, p. 26, 2002).

O artigo 92 do ECA atribui à instituição de abrigo os deveres de preservação dos vínculos familiares, visando o retorno da criança à família reestruturada. Assim, é preciso acreditar na possibilidade de redefinição e de mudanças nas relações interpessoais, familiares e sociais, visando a reconstrução dos vínculos.
A importância da família no desenvolvimento bio-psico-social da criança é defendida por inúmeros estudiosos como Winnicott (1999) e Bowlby (2002), que defendem que as crianças necessitam de um ambiente de afeto que lhes favoreça segurança para viabilizar e garantir um desenvolvimento saudável.
Os avanços da ciência, em especial os estudos da psicologia, relacionados à importância da família para o desenvolvimento humano, têm contribuído para discussões e iniciativas a fim de ter um trabalho mais efetivo para o atendimento das crianças e de suas famílias. Além disso, a constatação da necessidade de prevenção de situações de risco tem mobilizado a sociedade em geral, visando uma infância mais justa e saudável.
Acreditamos que essas problemáticas podem ser trabalhadas através de Oficinas da Padaria Artesanal.
“As organizações sejam elas voluntárias ou governamentais deveriam ter como tarefa primordial auxiliar os pais a reconhecerem as origens dos problemas e a estabelecerem um plano sólido para o futuro, em vez de contribuir inconscientemente para a irresponsabilidade dos pais diante do futuro da criança. Isto significa que a instituição deve prestar um auxilio condicional sob a condição de que os pais permanecem responsáveis pelo futuro de seus filhos até o máximo de suas possibilidades tal como em todos os serviços sociais de caso, o processo deve se iniciar logo no primeiro momento do contato, quando a necessidade dos pais faz com que eles estejam preparados para encarar algumas verdades desagradáveis (BOWLBY, 2002, p. 134,).

O Lar Batista já conta com um espaço onde funciona a Padaria Artesanal, foi um espaço conquistado através de uma idealização do Promotor da Vara da Infância e Juventude de Americana e a doação de um Kit Padaria composto por 01 forno de inox, batedeira, liquidificador, balança e assadeiras de alumínio e um saco de farinha, pelo Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (FUSSESP.
Esse projeto visa ampliar o trabalho já desenvolvido com a Padaria Artesanal, onde os familiares serão envolvidos, voltando-se a capacitação e renda aos mesmos, e principalmente proporcionar momentos de interação entre pais e filhos, tendo como conseqüência o fortalecimento de vínculos familiares e a reintegração familiar que é o objetivo do abrigo.

Objetivos (Para quê?) do Projeto:

Objetivo geral:
Proporcionar através das Oficinas da Padaria Artesanal, atividades pais e filhos, fortalecendo os vínculos e fortalecimento a auto-estima dos participantes, visando a Reintegração Familiar, capacitação e renda.

No âmbito individual: Reparação emocional
Desenvolver através das oficinas, o, e a auto-estima e capacitação.

No âmbito coletivo: Desenvolvimento de vínculos
Facilitar o contato entre pais e filhos, motivar e desenvolver vínculos familiares.

Objetivos Específicos:
- Capacitação Profissional aos adolescentes abrigados e aos familiares através das Oficinas de panificação;
- Inserir noções de higiene, ética, saúde e cidadania às crianças e adolescentes atendidos, e os respectivos familiares;
- Envolver as famílias das crianças e adolescentes atendidas, com objetivo de unir a família na fabricação do pão, para o desenvolvimento de vínculos e aquisição de valores;
- Possibilitar geração de renda;

Metas (Para quem:? Quantos? e Quando?):
Atender 15 crianças e adolescentes entre 10 e 18 anos incompletos e seus familiares, durante o período de 10 meses, e alcançar melhoria na qualidade dos vínculos familiares, e a integração da família com o abrigo, e possibilitar inserção de adolescentes e familiares no mercado de trabalho após a capacitação.

Quadro Demonstrativo de Atividades:

Nome da Atividade

Descrição da atividade (citar objetivamente o conteúdo programático)

População Alvo /Grupo etário

Resultados Previstos

Tempo/Execução

Oficinas de Padaria Artesanal

Fabricação Artesanal de Pães, bolos, doces e salgados

Quinze crianças e adolescentes abrigadas entre 10 e 18 anos incompletos e as respectivas famílias

 

Desenvolvimento de vínculos familiares, integração da família com o abrigo, e capacitação profissional aos adolescentes e aos familiares dos abrigados

10 meses

Metodologia:
Métodos e procedimentos a serem adotados na execução do projeto:
- Treinamento e conscientização de funcionários e voluntários sobre os objetivos do projeto, demonstrando a importância desse para a instituição nos âmbitos social psico-pedagógico e financeiro;
- Orientação constante aos meninos abrigados sobre disciplina, responsabilidades, higiene, cidadania, ética;
- Reuniões freqüentes com todos os envolvidos no projeto;
- As oficinas serão desenvolvidas primeiramente quinzenalmente, sendo verificada posteriormente, a possibilidade de serem desenvolvidas semanalmente;
- As oficinas serão desenvolvidas por voluntários, profissionais de panificação convidados a dar cursos, monitores do abrigo, e assistente social;
- Participarão das Oficinas crianças, adolescentes e familiares que tiverem interesse e se cadastrarem antecipadamente ao momento das Oficinas;
- Nas Oficinas serão produzidas receitas variadas, e no final das oficinas haverá degustação do que foi produzido;
- Após 2 (meses) de oficinas serão avaliadas as possibilidades de vendas dos pães produzidos, nas oficinas;

Monitoramento:
- Serão desenvolvidos relatórios mensais individuais de cada técnico e cada voluntário;
- Serão desenvolvidas reuniões mensais, da equipe de trabalho do abrigo, com os envolvidos nas Oficinas, onde a opinião, e sugestões dos atendidos serão valorizadas;
- Serão desenvolvidos pelo administrador, e tesoureiro do abrigo relatórios financeiros mensais;

Avaliação:
Serão desenvolvidos relatórios e realizadas reuniões mensais com a equipe de trabalho das Oficinas, voltadas a avaliar os seguintes quesitos do Projeto:
- organização do trabalho;
- metodologia do trabalho;
- qualidade do trabalho;
- Autonomia dos adolescentes e familiares nas produções;

Futuro do projeto:
Fazer parcerias com outras ONG´s no desenvolvimento desse projeto.

Bibliografia:
ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei de 1990

ORG. TERRA DOS HOMENS. Do abrigo à família: Em defesa da convivência familiar e comunitária. Rio de Janeiro, 2002, 3ª ed.

WINNICOTT, D.W. Tudo começa em casa. 3.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

BOWLBY, J. Cuidados maternos e saúde mental. São Paulo: Martins Fontes,
2002.



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